A Esperança de Suzanne Collins


Pode ser que você já tenha ouvido falar de Jogos Vorazes, série escrita por Suzanne Collins. Talvez você já tenha assistido aos filmes que foram lançados e, quem sabe, lido os livros também. Não sei. Só sei que eu assisti aos três filmes e antes de ontem terminei de ler o último livro da trilogia.

Minha relação com A Esperança foi tortuosa. Comecei a lê-lo em 2013, se não me falha a memória, mas um detalhe fez com que eu pausasse a leitura por tempo indeterminado.

Desde o primeiro livro quem narra a história é a protagonista, Katniss Everdeen. Antes de qualquer outra observação, quero deixar claro que, pra mim, Suzanne soube escrever muito bem o ponto de vista da personagem. A vitoriosa do Distrito 12 é bem construída e sabe transmitir seus sentimentos, desde os mais puros (como o amor que tem pela irmã mais nova, Prim) aos mais conturbados (a angústia diante do que acontece com Peeta, a raiva que sente de Gale em determinados momentos e o ódio que nutre pelo presidente Snow). Só que a narração em primeira pessoa tem seus defeitos e eu não pensei que eles fossem me afetar tanto como afetaram, nesse livro.

O que temos da história é aquilo que Katniss sabe (ou supõe), escuta e vê e ela não estava presente em todos os lugares para que pudesse narrar o que acontecia neles. O Tordo não foi escalado para determinados resgates (mesmo que quisesse ir), nem assistiu muito do que cada distrito estava fazendo para trazer a Capital abaixo. Isso me incomodou. Eu queria descrições, queria diálogos, queria saber como Katniss se sentiria nesses locais, mas as autoridades não permitiam que ela comparecesse nesses eventos e às vezes nós apenas a tivemos sedada na cama do hospital enquanto coisas aconteciam. Fiquei frustrada. Talvez não tanto quanto a principal, mas fiquei do mesmo jeito e preferi interromper aquilo que estava lendo.

Retomei há pouco mais de dois meses, dessa vez munida de spoilers, mesmo sem ter assistido à parte I de A Esperança. Internet é perigosa. Você começa a ler coisas aparentemente inocentes no Facebook e no Tumblr, e acaba descobrindo que aquela personagem que você tanto gosta vai perder a vida naquelas páginas que estão ali, empilhadas na sua estante. Claro que eu sabia que muitos iam morrer. É uma guerra, afinal, e pessoas morrem nas batalhas. Mas fica aquele sentimento de “eu não queria que isso acontecesse”.

Foi com o coração apertado que voltei ao Distrito 12 com Katniss, acompanhei às gravações de prontopops e assisti Peeta aparecendo nos pronunciamentos da Capital cada vez mais magro e abatido. Reli os trechos que me fizeram abandonar a leitura pela primeira vez e então descobri o que é telessequestro e os efeitos avassaladores que esse tipo de tortura é capaz de causar em alguém. Xinguei Katniss por ser tão dura e agressiva com quem não merecia esse tipo de reação (por outro lado, gostei dessas atitudes. Faz parte da personalidade dela), gostei de vê-la “se aliar” à Johanna e senti o quão feliz ela ficou em um certo casamento.

Em campo, as coisas aconteciam em um piscar de olhos, exatamente como deve acontecer em um combate de verdade. Em um momento você está ali, com a sua equipe, e no segundo seguinte uma mina explode levando consigo a vida de alguém. Percebi que as despedidas começaram com aquele estrondo e foram longos os capítulos para que elas terminassem.

As partes que mais gostei (não está em ordem cronológica, nem de preferência): 1. Prim abrindo os olhos de Katniss quanto às intenções de Snow sobre o que ele fez com Peeta. 2. Katniss e Buttercup quando todos estão refugiados nos andares inferiores, enquanto o 13 é bombardeado. 3. Novamente, Katniss e Buttercup no 12, nas últimas páginas do livro. 4. O reencontro de Finnick e Annie (aliás, ela me surpreendeu na última vez em que aparece). 5. O reencontro de Katniss e Peeta. 6. Peeta e Gale conversando no porão de Tigris. 7. Johanna e Katniss treinando juntas. 8. O epílogo.

A Esperança foi minha companheira por muito tempo, tanto que até agora não consegui tirar o livro da capa azul de dentro da bolsa, não parei de pensar nas personagens criadas por Suzanne e ainda estou com essa sensação de vazio causada pela despedida (detesto pontos finais). Talvez seja isso que as pessoas costumam chamar de “ressaca literária”.

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8 comentários sobre “A Esperança de Suzanne Collins

    1. Sim, eu logo imaginei que ficaria confuso porque não comentei nada sobre Jogos Vorazes, nem Em Chamas. Considerei falar sobre os dois, nem que fosse pra dar uma introdução, mas nesse caso eu queria falar mesmo sobre como me senti lendo A Esperança. Foi uma leitura que durou muito tempo e me tocou de várias formas ;-; Era um post pro livro, mesmo.

      Mas ai, Nick, que bom que mesmo assim te deu vontade de ler ❤ Fico feliz!

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  1. Ai esse livro, ele foi o meu favorito da série. tb tenho uma relação especial com ele. Engraçado como o filme apesar de muito bom (eu amoooo os filmes) ele não consegue captar a seriedade dos jogos como o livro, terminei A Esperança como você disse… ressacada. Mas achei demais, é um dos meu livros favoritos…

    Bjinhos
    JuJu
    As Besteiras Que Me Contam

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